GNT_Entrevista Quebra Cabeça
De férias em Ilheus, mas ministrando palestras para pais e professores da educação infantil
Por: Alice Ferruccio, Psicóloga
Cesar, desta vez em Ilhéus, de férias, preencheu nossas tardes com mais algumas reflexões sobre como dar limites para nossos filhos e alunos. A palestra foi direcionada para pais e professores da educação infantil.
Ele fez uma bela apresentação para cerca de 30 pais e professores. Isabel, diretora da Escola Mondrian de Educação Infantil, abriu com os agradecimentos aos pais e professores por participarem do encontro, mesmo no pico das férias. A escola estava em reforma e por esta razão a palestra aconteceu em um dos pontos turísticos mais lindos da cidade.
Cesar iniciou redefinindo as nossas fases cronológicas e usando palavras do Leonardo Boff afirmou que estas fases não são cronológicas, mas psicológicas. A platéia riu, mas entendeu o recado.
Cesar falou sobre a estrutura psíquica das crianças pequenas e das funções do ego. O ego é um aparelho de adequação. Ele ajuda o sujeito a equacionar o conflito entre os desejos do ID e as imposições limitadoras do superego. Todo e qualquer movimento que a criança faz desde muito cedo é para remunerar, de forma libidinal, o seu próprio ego. Ela está, nesta fase, totalmente imersa no princípio do prazer e cabe aos pais e professores a ajudá-los a passar do princípio do prazer para o princípio da realidade.
A família idealizada foi apresentada como sendo aquela fruto do nosso desejo. Durante nossa evolução passamos por diversas etapas onde esta família passou a ter diferentes configurações. Se no passado não podíamos planejar nossa prole, ela era apenas fruto do acaso, com a evolução tecnológica passamos a planejá-la e a materializá-la segundo nosso desejo.
Não queremos que este projeto dê errado, mas, por vezes, erramos muito quando não conseguimos dizer não para nossos filhos. Não queremos vê-los infelizes e acabamos dando mais do que o necessário. O papel dos pais e professores é ajudar neste desalojamento do sujeito para que ele possa se movimentar. Desenvolver é tirar o sujeito do envolvimento e prepará-lo para o mundo.
As crianças pequenas precisam passar pelo destronamento para poderem conviver com os outros seres humanos. O papel da escola neste processo é fundamental.
Cesar fez algumas imersões no tema princípio do prazer e princípio da realidade e também abordou a questões dos pais separados, da família tentacular e da difícil tarefa de educá-los em uma sociedade imersa no hedonismo e no consumismo voraz.
O tempo foi curto para dar conta de tantas perguntas que foram surgindo, mas a mensagem sobre a importância da educação infantil e a saúde mental do sujeito foi passada.
Mais uma vez Cesar afirmou: "a saúde mental do adulto vai depender da qualidade da educação desta criança". A mensagem final foi que a família e a escola precisam trabalhar em conjunto para que este desalojamento e, consequentemente, desenvolvimento, aconteça. Tudo vai depender de quanto a matriz original ("mãe") se preparou para ajudar seus filhotes a ganharem o mundo. A escola vai ajudar neste processo, mas não poderá fazer isto sozinha.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Debate - Globo Comunidade
http://rjtv.globo.com/Jornalismo/RJTV/0,,MUL141966-9103,00.html
O acidente de carro que matou cinco jovens chocou o Rio. A sociedade abriu o debate. Pais falam sobre limites e autoridades apostam na educação.
Há 15 dias, um carro dirigido por um jovem de 18 anos capotou e bateu em uma árvore, na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O motorista e quatro outros jovens morreram. Eles tinham acabado de sair de uma boate.
A perícia revelou que o carro estava a 110 km/h. Mais tarde, exames mostraram que quatro adolescentes, entre eles o motorista, tinham consumido bebidas alcoólicas. O acidente chocou a cidade do Rio de Janeiro.
Mais uma semana, e outro choque. Um adolescente de 16 anos morreu em um desastre em Itaperuna, no norte do estado. Ele pegou o carro escondido dos pais.
A discussão dos jornais foi parar na sala de muitas escolas. Em um colégio, na Barra da Tijuca, o tema está na aula de atualidades. Alguns alunos falam sobre crescer e amadurecer sem fazer parte das estatísticas de acidentes e imprudências no trânsito. A psicóloga Ligia Gomes de Souza também participa da conversa. A tese de mestrado dela é sobre o comportamento dos jovens ao volante.
“Foi muito chocante o fato de cinco jovens, que partilham das mesmas coisas que nós, perderem a vida de uma forma tão brutal. O carro é um sinônimo de independência e isso causa uma euforia. Você pode não saber como dominar isso e, então, você que correr e quer se mostrar para o seu grupo”, comenta um aluno.
“Um carro vai me libertar. Eu vou sair de casa com os meus amigos, mas é lógico, tem que ter maturidade. Devemos colocar na cabeça que o carro pode ser uma arma”, afirma uma estudante.
“O carro tem dois significados. Para os rapazes significa liberdade e, ao mesmo tempo, um instrumento que vai fazer com ele se destaque no grupo de amigos. Já para as mulheres, elas destacam um aspecto mais prático do carro. Elas vêem o carro como um instrumento que facilita a vida. Os dados mostram que os acidentes predominam no século masculino. São exatamente as representações que entendem o carro como um elemento de destaque dentro de um grupo que levam aos acidentes”, explica a psicóloga Lígia.
“A gente olha no jornal, a gente vê na televisão e, ainda assim, a gente acha que é impossível de acontecer com a gente. A minha mãe veio conversar comigo sobre o assunto. Acho que além dos nossos pais terem que conversar com a gente, nós temos que ter um pouco de responsabilidade. Se uma pessoa estiver dirigindo de forma incorreta, devemos ter coragem para saltar do carro. Não somos obrigados a viver essas situações que colocam nossa vida em risco”, afirma outra aluna.
“A educação no trânsito é importante para reduzir o índice de acidentes, o papel familiar e a discussão presente na escola também são. Ao redor do mundo, algumas restrições ao motorista novato foram aplicadas com sucesso. Um exemplo é a medida que o motorista que tira a carteira aos 18 anos não pode dirigir no horário que os acidentes costumam ocorrer, entre 21h de sexta-feira e 5h da manhã do sábado. Uma outra medida é proibir de levar outro amigo dentro do carro”, acrescenta Lígia.
“Mas o jovem gosta de fazer o que é proibido. Ele adora desafios”, observa um aluno.
“O horário da restrição é o horário que a gente sai. Se você tem a carteira, tem o carro e vai pedir para o pai te levar na festa. É incoerente”, critica uma menina.
“Não adianta criar leis e restrições simplesmente para adiar a iniciativa que deve que vir dos jovens. O certo é fazê-lo entender que é errado”, argumenta um estudante.
A luta pela conscientização no trânsito motivada pela dor
Com dois filhos adolescentes em casa, Ana Cecília procura unir autoridade e franqueza no relacionamento com Caio, de 14 anos, e com Flávia, de 18.
“Eu não comecei a conversar com meus filhos porque eles se tornaram adolescentes. Este processo vem desde a infância. A conversa é longa, continua e permanente. E não é só sobre educação no trânsito. Falo sobre a vida, e sobre como ser uma pessoa responsável com seus atos. Acho muito importante que eles tenham este tipo de consciência” afirma Ana Cecília.
Mas o diálogo não impede alguns conflitos.
“Claro que tem horas que você não agüenta mais o mesmo discurso sempre. Mas eu entendo o papel dela”, conta Flávia.
Os limites na casa de Ana Cecília são claros. Flávia não bebe e aprendeu que, na hora de ir para casa, o melhor é pegar um táxi. Ela tem até 3h da manhã para se divertir e não adianta reclamar.
“Infelizmente, eles saem porta afora e encontram um mundo muito permissivo. Tudo é permitido ao jovem. Se eles freqüentam boates que só podem entrar com 18 e estão lá dentro com 16 ou17 é porque não existe uma fiscalização efetiva do estado. Se o jovem bebe na porta com ambulantes é porque o estado permite que este ambulante esteja lá. Essas situações não são responsabilidades dos pais”, argumenta Ana Cecília.
Sérgio e Valéria da Costa sabem, pela via mais dura, que nem tudo pode ser controlado pelos pais. A filha deles, Patrícia, de 18 anos, morreu com uma amiga em um acidente de carro no centro do Rio de Janeiro, em março de 2004.
“Eles reuniram um grupo de cinco pessoas e foram para uma micareta no sábado. Resolveram voltar no domingo e aconteceu. Segundo o boletim de ocorrência, o motorista estava com alto teor de bebida alcoólica”, conta Sérgio.
“Os anos após o acidente parecem não passar. É como se tivesse acontecido ontem. Tudo continua na nossa mente do jeitinho que foi visto. Desde o primeiro instante. Acho que a gente acorda e dorme pensando. Mudou nossa vida”, lamenta Valéria.
Hoje, eles participam de uma rede de solidariedade formada por famílias que viveram situações semelhantes. Elas se uniram para diminuir sua dor e para conscientizar outros pais e filhos sobre os perigos do trânsito.
“Os jovens costumam pensar que sabem tudo. Mas não sabem. Ainda tem muito que aprender e ver”, lembra Valéria.
Sérgio e Valéria ainda aguardam o segundo julgamento do motorista que dirigia o carro onde estavam Patrícia e Juliana. Outra luta do casal é pelo fim da impunidade.
“Eu acho que a impunidade encoraja o condutor. As autoridades deveriam levar mais a questão a sério. Quando acontece, todo mundo fica indignado. Depois passa e nada muda”, explica Sérgio.
Fernando Diniz é outro pai que busca justiça. Em um acidente na Barra da Tijuca, há três anos, o filho dele, Fabrício, de 20 anos, e duas jovens que estavam no banco de trás morreram. O motorista que, segundo testemunhas, dirigia em alta velocidade, não foi ao julgamento e está foragido.
Diniz já distribuiu mais de 40 mil panfletos com a idéia é conscientizar os jovens e toda a sociedade quanto às imprudências no trânsito e suas conseqüências.
“O acidente com uma vítima fatal quando se trata da perda de um filho é uma coisa irreversível, mas nós temos que seguir em frente. Se eu pudesse dar uma mensagem para o jovem, eu diria que eles não tem a noção exata do tamanho da dor que eles deixam quando partem prematuramente”, diz Fernando.
Educação por uma geração diferente de motoristas
Em colégio da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, pais, alunos, professores e especialistas se reuniram para discutir o consumo de álcool entre os jovens.
“Há um tempo para o desenvolvimento da dependência química. Hoje temos dados, que não existiam antigamente, de jovens já precisando de tratamento e internação com 18 ou 20 anos em função da compulsão e da perda de controle”, explica a psicóloga Ana Café.
Um levantamento do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad) mostrou que é cada vez menor a idade dos adolescentes que experimentam bebidas alcoólicas. O consumo de álcool por pessoas dependentes começa, hoje, aos 12 anos.
A aluna Mariana Goldfarb, que não bebe, já presenciou mais de uma vez o consumo exagerado.
“Não bebo porque meus pais sempre me disseram que 15 anos não é idade para beber. Mas nunca fui a uma festa que não tivesse bebida”, conta Mariana.
“O que caracteriza o adolescente é a busca do prazer imediato. Neste sentido, o álcool e as substâncias químicas são um prato cheio para atender a essa demanda, por exemplo, em um sábado à noite”, afirma o psicanalista César Ibrahim.
“A proposta que estamos trazendo é que dá para se divertir e ser feliz sem beber. Tudo de uma forma consciente”, acrescenta a psicóloga Ana.
Quem bebe não tem noção de como está dirigindo. Percorrendo bares, restaurantes e boates agentes do Detran-RJ tentam conscientizar os consumidores sobre a diminuição de reflexos causada pelo álcool.
“A ida aos bares e a realização do teste de bafômetro é importante porque as pessoas passam a acreditar que não estão aptas a dirigir. As campanhas reforçam uma nova atitude que é necessária. Não transformam cultura, mas reforçam um procedimento. Transformação da cultura só ocorre quando a campanha é levada para dentro da escola e gera um interesse”, explica o coordenador de educação Detran-RJ, Gilberto Cytrin.
O Detran-RJ tem um projeto que se chama Educação Itinerante, que leva à comunidade palestras e materiais pedagógicos sobre conscientização.
Em uma escola em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, os agentes educacionais vão dar aulas para crianças da educação infantil até a quarta-série.
“É muito mais difícil mudar a consciência de um adulto do que a de uma criança”, comenta a agente educacional Alessandra Moraes.
As palestras tem 20 minutos e tratam de conceitos básicos, como segurança do pedestre e respeito à sinalização.
“Vou ensinar para os meus irmãos e para o meu tio que já está dirigindo”, garante um menino.
Eles são os motoristas do futuro. Se a lição for bem aprendida, os riscos no trânsito vão diminuir.
Encontro de Professores_Batutinhas 2010
Batutinhas 2010
Encontro de Professores_Batutinhas 2010
Aconteceu no dia 02 de Fevereiro de 2010
Briefing
No auditório do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) em Botafogo, a Escola Batutinhas reuniu seus professores e colaboradores para assistirem uma palestra do Dr. Cesar Mussi Ibrahim na abertura do ano letivo de 2010.
Cesar falou sobre a Cultura do Imediatismo onde o imperativo do gozo que se superpõe ao da segurança na nossa sociedade atual.
Discutiu sobre as questões relacionadas ao narcisismo primário da criança e qual o papel do professor para tirar o pequeno príncipe do pedestal para que ele possa se desenvolver.
Afirmou que se não tirarmos o invólucro desta criança ela não terá condições de crescer e que para tanto ele terá que abrir mão de algumas regalias do seu pequeno reinado. Declarou que os pais também precisam assumir o seu lugar de autoridade e dar para seus filhos os limites necessários para o seu crescimento e sua saúde mental.
A criança para crescer precisa aprender a conviver em um grupo, socializar e interiorizar as regras que a cultura vai impor: a hora de brincar, de comer, de estudar etc.. Em casa, as crianças, muitas das vezes, criados por pais super bem intencionados, não se acostumaram com a palavra NÃO e seguem vida a fora vivendo como se fossem o centro do universo. O trabalho do professor é mostrar para a criança que ele vai encontrar, em toda a sua jornada, frustrações e que nem tudo será possível. Cesar ainda abordou fatos sobre a Cultura Hedonista (do gozo e do imediatismo) e o uso da medicalização para amenizar a dor e também transformar a vida em algo mais fácil para se viver. Apontou os riscos do uso desenfreado da ritalina para contenção de crianças que são mais agitadas que outras, as famosas hiperativas que não conseguem ficar paradas e manterem a atenção em sala de aula. Um ponto interessante foi quando Cesar disse que para podermos cuidar das questões dos outros precisamos estar plenos com nossas próprias questões e afirmou que os professores precisam se preparar primeiro para este trabalho árduo que é educar. Toda a nossa capacidade de lidar com as questões de autoridades estão relacionadas diretamente com a maneira como nós mesmos passamos pelo nosso processo de destronamento narcísico.
Reivindicar o trono é algo que nos acompanhará por toda a nossa vida. Nossas questões narcísicas precisam ser bem compreendidas para que possamos fazer nosso trabalho de acolher as demandas alheiras e promover a escutas destes pais de destas crianças.
Cesar falou sobre as fases da vida. O ser cuidado, o cuidar-se e o cuidar do outro e disse que esta última algumas pessoas não conseguem atingir.
Sobre os limites Cesar foi bem enfático: "SÃO NECESSÁRIOS E SEM ELES A CRIANÇA NAO CONSEGUIRÁ SER UM ADULTO SAUDÁVEL INSERIDO NA SOCIEDADE."
A palestra foi finalizada abrindo para questões onde os professores puderam discutir alguns pontos abordados como foi o caso da participação do professor Mauro que contou um caso do seu aluno e fez o grupo refletiu e aplicar os conceitos abordados pelo Cesar.
Postado por: Alice Ferruccio
Encontro de Professores_ Batutinhas 2010
Observações sobre o curso A Educação e a Dor de Aprender da PUC-RJ.
Enviem suas observações sobre o curso, que foram lidas na última aula, para que possamos publicá-las no blog.
Parabéns e obrigado(a) a todos os alunos(as) do curso A Educação e a Dor de Aprender da PUC-RJ.
Professor Cesar Ibrahim
Monitora: Alice Ferrruccio (alice.ferruccio@gmail.com)
Para quem não leu:
Dica de leitura: livro do Philippe Ariés - História Social da Criança e da Família
1. Site para leitura:
http://www.scribd.com/doc/19716181/PHILIPPE-ARIES-Historia-social-da-crianca-e-da-familia
Título Original:
L Enfant et al vie familiale sous 1 Ancien Régime.
Para quem não fez ainda:
Escrever um caso clínico (relato sobre um caso ocorrido na Escola). Vide roteiro para o relato do caso clínico no blog.
Recordar, repetir e elaborar (para quem não leu ainda)
http://www.scribd.com/doc/
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