GNT_Entrevista Quebra Cabeça

GNT_Entrevista Quebra Cabeça
21:00 Quebra-Cabe_ Andando sozinho: O psicanalista Cesar Ibrahim, que tem um extenso trabalho com adolescentes,fala da importância desses "pequenos passos" na infância e como eles ajudam na construção de um adulto mais autônomo.

De férias em Ilheus, mas ministrando palestras para pais e professores da educação infantil

Por: Alice Ferruccio, Psicóloga


Cesar, desta vez em Ilhéus, de férias, preencheu nossas tardes com mais algumas reflexões sobre como dar limites para nossos filhos e alunos. A palestra foi direcionada para pais e professores da educação infantil.
Ele fez uma bela apresentação para cerca de 30 pais e professores. Isabel, diretora da Escola Mondrian de Educação Infantil
, abriu com os agradecimentos aos pais e professores por participarem do encontro, mesmo no pico das férias. A escola estava em reforma e por esta razão a palestra aconteceu em um dos pontos turísticos mais lindos da cidade.
Cesar iniciou redefinindo as nossas fases cronológicas e usando palavras do Leonardo Boff afirmou que estas fases não são cronológicas, mas psicológicas. A platéia riu, mas entendeu o recado.
Cesar falou sobre a estrutura psíquica das crianças pequenas e das funções do ego. O ego é um aparelho de adequação. Ele ajuda o sujeito a equacionar o conflito entre os desejos do ID e as imposições limitadoras do superego. Todo e qualquer movimento que a criança faz desde muito cedo é para remunerar, de forma libidinal, o seu próprio ego. Ela está, nesta fase, totalmente imersa no princípio do prazer e cabe aos pais e professores a ajudá-los a passar do princípio do prazer para o princípio da realidade.
A família idealizada foi apresentada como sendo aquela fruto do nosso desejo. Durante nossa evolução passamos por diversas etapas onde esta família passou a ter diferentes configurações. Se no passado não podíamos planejar nossa prole, ela era apenas fruto do acaso, com a evolução tecnológica passamos a planejá-la e a materializá-la segundo nosso desejo.
Não queremos que este projeto dê errado, mas, por vezes, erramos muito quando não conseguimos dizer não para nossos filhos. Não queremos vê-los infelizes e acabamos dando mais do que o necessário. O papel dos pais e professores é ajudar neste desalojamento do sujeito para que ele possa se movimentar. Desenvolver é tirar o sujeito do envolvimento e prepará-lo para o mundo.
As crianças pequenas precisam passar pelo destronamento para poderem conviver com os outros seres humanos. O papel da escola neste processo é fundamental.
Cesar fez algumas imersões no tema princípio do prazer e princípio da realidade e também abordou a questões dos pais separados, da família tentacular e da difícil tarefa de educá-los em uma sociedade imersa no hedonismo e no consumismo voraz.
O tempo foi curto para dar conta de tantas perguntas que foram surgindo, mas a mensagem sobre a importância da educação infantil e a saúde mental do sujeito foi passada.
Mais uma vez Cesar afirmou: "a saúde mental do adulto vai depender da qualidade da educação desta criança". A mensagem final foi que a família e a escola precisam trabalhar em conjunto para que este desalojamento e, consequentemente, desenvolvimento, aconteça. Tudo vai depender de quanto a matriz original ("mãe") se preparou para ajudar seus filhotes a ganharem o mundo. A escola vai ajudar neste processo, mas não poderá fazer isto sozinha.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

APRESENTAÇÃO

Cesar Ibrahim iniciou a atividade clínica psicanalítica em 1984, com o atendimento de adultos e adolescentes, ampliando o trabalho para a psicoterapia de família. A arquitetura emocional dos jovens é o tema de um longo e continuado trabalho de pesquisa do psicanalista.
Junto às instituições de ensino, Cesar Ibrahim buscou compreender as dificuldades enfrentadas pelos educadores no delicado ofício de conduzir a formação de sujeitos, que devem ser capazes de se constituírem psiquicamente de uma forma autônoma.

CURSOS/ PALESTRAS. A vasta experiência no atendimento de jovens é compartilhada com outros profissionais, tais como educadores, como também com os pais de adolescentes. Todos os meses o Dr. Cesar Ibrahim participa de palestras, cursos e seminários voltados para uma melhor compreensão da dinâmica da sociedade moderna contextualizando o comportamento jovem.

Para contatos, cadastre-se no site www.cesaribrahim.com.br ou por e-mail cesar@cesaribrahim.com.br

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Entrevista - Fantástico

Fantástico - Globo Video Chat
20/11/2005

O limite do 'Não' para pais e filhos.
Chat Fantástico na íntegra

http://videochat.globo.com/GVC/arquivo/0,,GO6835-3362,00.html

Moderador fala para a platéia: O que fazer quando os jovens se recusam a aceitar um "Não" dos pais? Logo após o programa, o psicólogo César Ibrahim fala sobre a relação entre pais e filhos adolescentes. Mande sua pergunta e participe!

César Ibrahim fala para a platéia: Boa noite!

Moderador apresenta a mensagem enviada por amor: Oque faser quando nós falamos não e mesmo assim ele faz/
César Ibrahim responde para amor: Bom, se o Não não está sendo obedecido, é sinal que está em curso uma dificuldade dos pais dizerem não. É preciso ser mais firme do que já foi até então, especialmente se a idade cronológica passar dos 13 anos.

Moderador apresenta a mensagem enviada por thais_sp: Na opinião do Sr, até onde vai o limite do não, para o filjo que pede aos pais para dormir com a namorada em casa?
César Ibrahim responde para thais_sp: Essa questão depende da cultura de cada família, fica difícil estabelecer uma resposta geral. Vai depender da singularidade imposta na educação de cada filho. Nada acontece senão como produto de uma educação que começa na infância. Se isso for levado como uma coisa natural, está bem, mas há famílias que não admitem esse convívio. É preciso analisar o conjunto de valores.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Muriqui: O não pode ser na forma de orientação. o que fazer para que eles aceitem a autoridade paterna ?
César Ibrahim responde para Muriqui: A princípio, a autoridade paterna está acima de tudo, deve ter em última análise a palavra final. E quando falamos em paterno, não nos referimos exclusivamente à figura do pai. Ela pode ser exercida pelo responsável e tem que ser acatada pelo jovem. Há circunstâncias em que o Não é a última palavra e não pode ser negociada, assim como várias autoridade que temos na sociedade. É preciso que o jovem aprenda a ordem insuperável e que fora de casa ele também vai encontrar essa barreira.

Moderador apresenta a mensagem enviada por AnnOnnImmOuS: o que seria "ser mais firme" ao pregar o não?
César Ibrahim responde para AnnOnnImmOuS: Ser mais firme significa ter coerência entre aquilo que você diz com aquilo que você faz e mostra como pessoa, pai e educador. Não é possível você exigir o respeito às leis e, por exemplo, não cumprir, avançar um sinal.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Gik: Boa noite, você acha que filho de pais separados tem mais dificuldade de aceitar nâos? às vezes sou bastante brava com ele para ser atendida e fico muito angustiada. Ele às vezes diz que eu só falo brigando,só que se não for assim ele começa .Q faço?
César Ibrahim responde para Gik: Não, não há efetivamente essa variável. Não existe complicação adiconal. O que atrapalha os pais nessa questão não é o fato de estarem separados, o que complica é a divergência entre si. Com a sensibilidade que os adolescentes têm, se aproveitam da fragilidade que os pais têm.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Gabbhy: Percebo que os pais querem que os filhos sigam o seu caminho e têm dificuldade em aceitar que os filhos façam a sua escolha, gerando um desconforto familiar. Como agir?
César Ibrahim responde para Gabbhy: Isso, eventualmente, acontece, você tem razão. É um dado quase universal, o desejo dos pais de produzirem filhos à sua imagem e semelhança. Eles quase que moldam uma forma imaginária para os filhos e fazem uma trajetória. Muitas vezes acabam impondo com rigor que os filhos sigam este caminho. A adolescência é um período onde os pais começam a perceber e aceitar que os filhos sigam outros caminhos.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Deize: o que fazer com um filho de 19 anos que nao pensa em outra coisa alem de jogar no computador?
César Ibrahim responde para Deize: Um menino de 19 anos que tem como atividade prodominante computador, não chega a este estágio de uma hora para outra. Isso foi um caminho e mais do que nunca é preciso rigor. Se ele trabalha, faz estágio, estuda, há sinais de que ele precisa do computador. Você tem que impor regras e exigir que ele cumpra. A utilização é inevitável, mas tem que ser utilizada em compatibilização com a idade dele.

Moderador apresenta a mensagem enviada por biz: Como devo proceder com o Papai, quando ele se recusa a aceitar o meu Não? Asvezes ele me pede par fazer algo e eu diga Não, Ele vai a loucura...
César Ibrahim responde para biz: Em primeiro lugar, é preciso estabelecer sobre a diferença da condição do seu pai e a sua. Há Nãos que você vai colocar para o seu pai e ele pode não aceitar. Há Nãos que ele vai determinar a você e você não vai poder deixar de cumprir. Na sua condição de filho, você tem todo o direito de negociar, mas não pode colocar Nãos para ele e achar ingenuamente que ele cumpra. O normal é que você acate as leis e ganhe uma "carteirinha" de cidadão do mundo.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Mariana: O que você acha sobre a gravides na adolecencia e qual a reação normais dos país, como devemos falar????
César Ibrahim responde para Mariana: Essa questão da sexualidade na adolescência e o uso das substâncias químicas devem ser acompanhadas, ainda que a distância, pelos pais. Eles precisam saber como os filhos pensam sobre esses assuntos e se aproximem deles. A gravidez na adolescência pode trazer consequências graves aos jovens pais e também para a criança. Na medida do possível, os pais devem supervisionar os filhos e saber como é a relação deles com estas questões.

Moderador apresenta a mensagem enviada por psiNaO: O não deve ser "ensinado" a criança em seus primeiros meses de vida naum é?...Parece que há alguma relação com afase anal da criança?...é verdade?
César Ibrahim responde para psiNaO: O Não começa desde muito cedo e não necessariamente é verbalizado, não é preciso dizer. Uma das primeiras formas de se educar a criança é o controle de usar o urinol, a medida que a fralda vai sendo abandonada, diferente das outras espécies animais.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Marina: Meu filho de treze anos me acha muito invasiva, porque quero saber de paqueras e sobre seu relacionamento com os amigos. Como conseguir um diálogo franco sem invadir a privacidade do adolescente?
César Ibrahim responde para Marina: É preciso muita sensibilidade porque essa proximidade vai depender da qualidade da relação que você tem com seu filho. Tente não transparecer que essa aproximação tem o objetivo de investigar. Com isso, ele vai entender.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Rita: Como ajudar um filho que se sente excluido pelos colegas?
César Ibrahim responde para Rita: Essa é uma das circunstâncias mais dolorosas para a família e para o jovem que vivem esta situação. Isso é muito freqüente e a auto-estima é atacada. Você pode tentar conhecer e saber um pouco mais sobre as razões desta exclusão. O primeiro passo é tentar saber com seu filho se ele consegue identificar essas razões, que em geral estão nele mesmo. Ele precisa saber lidar com esse mundo agressivo que é a adolescência. É preciso saber lidar com o mundo tal como ele se apresenta.

Moderador apresenta a mensagem enviada por Juuu: César, a situação é a seguinte: um pai descobre que não é o pai biológico do filho. O garoto tem 7 anos. Existe uma "melhor idade" para contar isso? Como agir? A autoridade do pai fica em risco numa situação como esta?
César Ibrahim responde para Juuu: Não, o que vai prevalecer é a relação afetiva que você tem com ele, independente do laço sanguíneo. Se se sente em condições de compartilhar essa informação com ele, o laço afetivo vai permanecer intacto. Não vai mudar nada!

César Ibrahim fala para a platéia: Eu quero agradecer a oportunidade de compartilhar estas questões tão complicadas, que são para mim também na condição de pai.

Moderador fala para a platéia: O bate-papo do Fantástico termina aqui. Obrigado a todos pela participação e boa noite.

Entrevista - RJTV 2ª Edição

Imaturidade ao volante
RJTV 2ª Edição > 04/09/2006 > Reportagem

http://rjtv.globo.com/Jornalismo/RJTV/0,,MUL130444-9099,00.html

Um dia depois de um brutal acidente, na Lagoa, dois rapazes foram enterrados e uma adolescente foi cremada. As outras duas serão cremadas nesta terça.

A ordem natural da vida, invertida. Pais enterrando os filhos, tão jovens. Eles tinham entre 16 e 22 anos. Inconformados também estavam os amigos, que há poucos dias estudavam juntos, aproveitavam festas. “Daqui a um mês ia ser o aniversário dele. A gente estava combinando de sair junto”, contou um amigo.

O acidente foi no domingo, pouco antes das 6h da manhã. O grupo tinha acabado de sair de uma boate, a menos de dois quilômetros do local da tragédia. Pais e mães ficaram com a mais dolorosa tarefa: reconhecer os corpos dos filhos.

Testemunhas contaram que o motorista, Ivan Rocha Guida, de 18 anos, dirigia em alta velocidade. Ele teria perdido a direção em uma curva. O carro subiu na calçada, bateu em uma árvore e pegou fogo.

Além do motorista, morreram na hora a namorada dele, Ana Clara Rocha Padilha, Manoela de Billy Rocha e Felipe Azevedo Vilela. Joana Chamis chegou a ser levada pelos bombeiros para o hospital, mas não resistiu. Exames de sangue vão mostrar se as vítimas tinham consumido bebida alcoólica.

“O jovem acha que é indestrutível, sempre. Acha que, com ele, nada acontece. Eu acho que a campanha educativa é necessária sempre. A gente tem que fazer o máximo para informar. Aos 20 anos, a pessoa simplesmente acaba, em um estalar de dedos, e todos os planos dela se encerram ali, no chão”, disse Geraldo Azevedo, tio de uma das vítimas.

“Nós temos agido com intensidade em bares e restaurantes durante o período noturno. Nós temos jovens promotores, então são jovens abordando jovens. Eles chegam até o restaurante com uma mesma linguagem, e passam uma informação importante”, explica Gilberto Citrin, coordenador de educação do Detran-RJ.

Campanhas nas ruas são necessárias, mas, segundo os especialistas, sozinhas elas não são eficientes. Eles dizem que os pais devem impor limites e dar bons exemplos aos filhos.

“Não se pode fazer referências específicas, porque fatalidades acontecem. Mas, independentemente do que se diz aos filhos, é fundamental que se mostre, coerentemente, aquilo que você é como pessoa, para que o seu filho possa tomar a sua atitude como exemplo”, orienta o psicanalista César Ibrahim.

O engenheiro Fernando Diniz perdeu o filho, de 20 anos, em um acidente na Barra da Tijuca, em março de 2003. Fabrício Diniz e duas amigas, que também morreram, estavam no banco traseiro de um carro. O motorista dirigia em alta velocidade, capotou e bateu em um poste. Ele foi considerado culpado e está foragido.

Hoje, o pai de Fabrício dá palestras sobre os perigos do trânsito. “Eu não vou deixar que a morte do meu filho e das duas meninas, a Mariana e a Juliana, tenham sido em vão. O motorista que faz pega, que faz a associação entre álcool, drogas e velocidade, tem que saber que pode ir preso, que tem uma punição. Assim, ele vai pensar duas vezes antes de colocar as pessoas que estão dentro do carro e nas ruas em risco”, concluiu Diniz.

O Instituto Médico Legal informou que os exames de sangue, que vão apontar se os jovens tinham ou não consumido bebida alcoólica, ficam prontos dentro de duas semanas.

Debate - RJTV 2ª Edição

Escola promove debate para discutir os riscos da relação entre direção e álcool. Pesquisa constata que muitos jovens começam a beber com 12 anos.

RJTV 2ª Edição > 13/09/2006 > Reportagem
http://rjtv.globo.com/Jornalismo/RJTV/0,,MUL130608-9099,00.html

Pesquisadores afirmam que os jovens começam a beber cada vez mais cedo. Uma constatação que preocupa pais e educadores. O RJTV ouviu especialistas e parentes de adolescentes que bebiam demais. O excesso no consumo de álcool pode prejudicar o desenvolvimento físico e mental, além de aumentar o risco de acidentes.

Uma jovem, de 20 anos, começou a beber aos 14, em festinhas com colegas da escola. Hoje, com a ajuda da família, luta para se livrar da dependência. “Eu achava que eu não poderia sair e me divertir sem o uso do álcool. Com 16 anos eu já não conseguia ficar sem beber. Acordava de manhã e comprava uma garrafa de vinho, matava aula e a gente ia beber cachaça mesmo no bar. Eu já sofri um acidente de moto com um ex-namorado meu, que estava alcoolizado. Tive que ficar um período de cadeira de rodas”, conta a jovem.

A mãe diz que sente culpa, porque só encarou a realidade quando a situação da filha já era muito grave. “Eu tinha medo de falar e medo de ouvir o retorno. Eu me enganava. Na minha cabeça, era uma fase de adolescente e não iria passar daquilo”, lembra a mãe.

Milhares de famílias enfrentam situações parecidas. O "Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas" (Nepad) informou que mais de 90% dos jovens de 13 a 20 anos de idade, atendidos em 2005, consumiam bebida alcoólica. Grande parte deles também usava outras drogas, como cocaína e maconha.

Segundo o Nepad, na década de 90 o consumo de álcool por pessoas que se tornavam dependentes geralmente começava aos 15 anos. Hoje é aos 12.

“Não há uma festa que eu vá que não tenha bebida.Tem amigos meus que já entraram em coma alcoólico”, comenta a estudante Mariana Esteves, de 15 anos.

“Eu tenho a minha cabeça. Eu acho melhor saber me segurar do que passar por uma situação dessas”, diz a estudante Camila Ritto, de 15 anos.

Os médicos sempre alertaram sobre o mal que o excesso de bebida alcoólica faz à saúde. Para o organismo de um adolescente, as conseqüências são mais graves. Especialistas afirmam que a ingestão precoce de álcool pode comprometer o desenvolvimento de órgãos como o fígado, o pâncreas e, principalmente, o cérebro.

“O cérebro de um adolescente ainda não está formado. Por isso, o efeito é tão devastador. Quanto mais cedo se começa a usar uma droga, mais cedo se estabelece a dependência”, afirma a coordenadora do Nepad, Maria Thereza Aquino.

O assunto virou debate em um colégio da Barra Tijuca, e reuniu alunos, pais, professores e especialistas.

“Os jovens estão bebendo cada vez mais cedo por influência da cultura e por causa da permissividade dos pais. O grande pecado é a omissão”, argumenta o psicólogo César Ibrahim.

“Meus pais sempre alertaram: 15 anos não é uma idade adequada para beber”, acrescenta Mariana.

“Os meus pais falam que eu posso beber socialmente, mas mesmo assim, eu não quero porque não me sinto bem”, comenta o aluno Paulo Bruno.

Debate - Globo Comunidade

Por uma nova geração de motoristas

http://rjtv.globo.com/Jornalismo/RJTV/0,,MUL141966-9103,00.html

O acidente de carro que matou cinco jovens chocou o Rio. A sociedade abriu o debate. Pais falam sobre limites e autoridades apostam na educação.

Há 15 dias, um carro dirigido por um jovem de 18 anos capotou e bateu em uma árvore, na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O motorista e quatro outros jovens morreram. Eles tinham acabado de sair de uma boate.

A perícia revelou que o carro estava a 110 km/h. Mais tarde, exames mostraram que quatro adolescentes, entre eles o motorista, tinham consumido bebidas alcoólicas. O acidente chocou a cidade do Rio de Janeiro.

Mais uma semana, e outro choque. Um adolescente de 16 anos morreu em um desastre em Itaperuna, no norte do estado. Ele pegou o carro escondido dos pais.

A discussão dos jornais foi parar na sala de muitas escolas. Em um colégio, na Barra da Tijuca, o tema está na aula de atualidades. Alguns alunos falam sobre crescer e amadurecer sem fazer parte das estatísticas de acidentes e imprudências no trânsito. A psicóloga Ligia Gomes de Souza também participa da conversa. A tese de mestrado dela é sobre o comportamento dos jovens ao volante.

“Foi muito chocante o fato de cinco jovens, que partilham das mesmas coisas que nós, perderem a vida de uma forma tão brutal. O carro é um sinônimo de independência e isso causa uma euforia. Você pode não saber como dominar isso e, então, você que correr e quer se mostrar para o seu grupo”, comenta um aluno.

“Um carro vai me libertar. Eu vou sair de casa com os meus amigos, mas é lógico, tem que ter maturidade. Devemos colocar na cabeça que o carro pode ser uma arma”, afirma uma estudante.

“O carro tem dois significados. Para os rapazes significa liberdade e, ao mesmo tempo, um instrumento que vai fazer com ele se destaque no grupo de amigos. Já para as mulheres, elas destacam um aspecto mais prático do carro. Elas vêem o carro como um instrumento que facilita a vida. Os dados mostram que os acidentes predominam no século masculino. São exatamente as representações que entendem o carro como um elemento de destaque dentro de um grupo que levam aos acidentes”, explica a psicóloga Lígia.

“A gente olha no jornal, a gente vê na televisão e, ainda assim, a gente acha que é impossível de acontecer com a gente. A minha mãe veio conversar comigo sobre o assunto. Acho que além dos nossos pais terem que conversar com a gente, nós temos que ter um pouco de responsabilidade. Se uma pessoa estiver dirigindo de forma incorreta, devemos ter coragem para saltar do carro. Não somos obrigados a viver essas situações que colocam nossa vida em risco”, afirma outra aluna.

“A educação no trânsito é importante para reduzir o índice de acidentes, o papel familiar e a discussão presente na escola também são. Ao redor do mundo, algumas restrições ao motorista novato foram aplicadas com sucesso. Um exemplo é a medida que o motorista que tira a carteira aos 18 anos não pode dirigir no horário que os acidentes costumam ocorrer, entre 21h de sexta-feira e 5h da manhã do sábado. Uma outra medida é proibir de levar outro amigo dentro do carro”, acrescenta Lígia.

“Mas o jovem gosta de fazer o que é proibido. Ele adora desafios”, observa um aluno.

“O horário da restrição é o horário que a gente sai. Se você tem a carteira, tem o carro e vai pedir para o pai te levar na festa. É incoerente”, critica uma menina.

“Não adianta criar leis e restrições simplesmente para adiar a iniciativa que deve que vir dos jovens. O certo é fazê-lo entender que é errado”, argumenta um estudante.

A luta pela conscientização no trânsito motivada pela dor

Com dois filhos adolescentes em casa, Ana Cecília procura unir autoridade e franqueza no relacionamento com Caio, de 14 anos, e com Flávia, de 18.

“Eu não comecei a conversar com meus filhos porque eles se tornaram adolescentes. Este processo vem desde a infância. A conversa é longa, continua e permanente. E não é só sobre educação no trânsito. Falo sobre a vida, e sobre como ser uma pessoa responsável com seus atos. Acho muito importante que eles tenham este tipo de consciência” afirma Ana Cecília.

Mas o diálogo não impede alguns conflitos.

“Claro que tem horas que você não agüenta mais o mesmo discurso sempre. Mas eu entendo o papel dela”, conta Flávia.

Os limites na casa de Ana Cecília são claros. Flávia não bebe e aprendeu que, na hora de ir para casa, o melhor é pegar um táxi. Ela tem até 3h da manhã para se divertir e não adianta reclamar.

“Infelizmente, eles saem porta afora e encontram um mundo muito permissivo. Tudo é permitido ao jovem. Se eles freqüentam boates que só podem entrar com 18 e estão lá dentro com 16 ou17 é porque não existe uma fiscalização efetiva do estado. Se o jovem bebe na porta com ambulantes é porque o estado permite que este ambulante esteja lá. Essas situações não são responsabilidades dos pais”, argumenta Ana Cecília.

Sérgio e Valéria da Costa sabem, pela via mais dura, que nem tudo pode ser controlado pelos pais. A filha deles, Patrícia, de 18 anos, morreu com uma amiga em um acidente de carro no centro do Rio de Janeiro, em março de 2004.

“Eles reuniram um grupo de cinco pessoas e foram para uma micareta no sábado. Resolveram voltar no domingo e aconteceu. Segundo o boletim de ocorrência, o motorista estava com alto teor de bebida alcoólica”, conta Sérgio.

“Os anos após o acidente parecem não passar. É como se tivesse acontecido ontem. Tudo continua na nossa mente do jeitinho que foi visto. Desde o primeiro instante. Acho que a gente acorda e dorme pensando. Mudou nossa vida”, lamenta Valéria.

Hoje, eles participam de uma rede de solidariedade formada por famílias que viveram situações semelhantes. Elas se uniram para diminuir sua dor e para conscientizar outros pais e filhos sobre os perigos do trânsito.

“Os jovens costumam pensar que sabem tudo. Mas não sabem. Ainda tem muito que aprender e ver”, lembra Valéria.

Sérgio e Valéria ainda aguardam o segundo julgamento do motorista que dirigia o carro onde estavam Patrícia e Juliana. Outra luta do casal é pelo fim da impunidade.

“Eu acho que a impunidade encoraja o condutor. As autoridades deveriam levar mais a questão a sério. Quando acontece, todo mundo fica indignado. Depois passa e nada muda”, explica Sérgio.

Fernando Diniz é outro pai que busca justiça. Em um acidente na Barra da Tijuca, há três anos, o filho dele, Fabrício, de 20 anos, e duas jovens que estavam no banco de trás morreram. O motorista que, segundo testemunhas, dirigia em alta velocidade, não foi ao julgamento e está foragido.

Diniz já distribuiu mais de 40 mil panfletos com a idéia é conscientizar os jovens e toda a sociedade quanto às imprudências no trânsito e suas conseqüências.

“O acidente com uma vítima fatal quando se trata da perda de um filho é uma coisa irreversível, mas nós temos que seguir em frente. Se eu pudesse dar uma mensagem para o jovem, eu diria que eles não tem a noção exata do tamanho da dor que eles deixam quando partem prematuramente”, diz Fernando.


Educação por uma geração diferente de motoristas

Em colégio da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, pais, alunos, professores e especialistas se reuniram para discutir o consumo de álcool entre os jovens.

“Há um tempo para o desenvolvimento da dependência química. Hoje temos dados, que não existiam antigamente, de jovens já precisando de tratamento e internação com 18 ou 20 anos em função da compulsão e da perda de controle”, explica a psicóloga Ana Café.

Um levantamento do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad) mostrou que é cada vez menor a idade dos adolescentes que experimentam bebidas alcoólicas. O consumo de álcool por pessoas dependentes começa, hoje, aos 12 anos.

A aluna Mariana Goldfarb, que não bebe, já presenciou mais de uma vez o consumo exagerado.

“Não bebo porque meus pais sempre me disseram que 15 anos não é idade para beber. Mas nunca fui a uma festa que não tivesse bebida”, conta Mariana.

“O que caracteriza o adolescente é a busca do prazer imediato. Neste sentido, o álcool e as substâncias químicas são um prato cheio para atender a essa demanda, por exemplo, em um sábado à noite”, afirma o psicanalista César Ibrahim.

“A proposta que estamos trazendo é que dá para se divertir e ser feliz sem beber. Tudo de uma forma consciente”, acrescenta a psicóloga Ana.

Quem bebe não tem noção de como está dirigindo. Percorrendo bares, restaurantes e boates agentes do Detran-RJ tentam conscientizar os consumidores sobre a diminuição de reflexos causada pelo álcool.

“A ida aos bares e a realização do teste de bafômetro é importante porque as pessoas passam a acreditar que não estão aptas a dirigir. As campanhas reforçam uma nova atitude que é necessária. Não transformam cultura, mas reforçam um procedimento. Transformação da cultura só ocorre quando a campanha é levada para dentro da escola e gera um interesse”, explica o coordenador de educação Detran-RJ, Gilberto Cytrin.

O Detran-RJ tem um projeto que se chama Educação Itinerante, que leva à comunidade palestras e materiais pedagógicos sobre conscientização.

Em uma escola em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, os agentes educacionais vão dar aulas para crianças da educação infantil até a quarta-série.

“É muito mais difícil mudar a consciência de um adulto do que a de uma criança”, comenta a agente educacional Alessandra Moraes.

As palestras tem 20 minutos e tratam de conceitos básicos, como segurança do pedestre e respeito à sinalização.

“Vou ensinar para os meus irmãos e para o meu tio que já está dirigindo”, garante um menino.

Eles são os motoristas do futuro. Se a lição for bem aprendida, os riscos no trânsito vão diminuir.

Site Fantástico

21.10.2007
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1658574-4005,00-DEVER+DE+CASA+PARA+OS+PAIS.html

Dever de casa para os pais


Vanessa, 16 anos, estudava numa classe equivalente ao primeiro ano do Ensino Médio. A mãe Lídia foi surpreendida quando a filha chegou com uma ordem do professor de inglês.

"Eu disse que ela tinha dever de casa pra fazer. Ela respondeu que era uma idéia ridícula", conta Vanessa.

“Eu não fiquei nem um pouco animada. Não via motivo naquilo, mas resolvi dar uma chance. Na verdade, não foi tão ruim como eu imaginava que seria”, conta Lídia, corretora de imóveis.

Depois da repercussão que o caso teve na imprensa americana, o professor David Frie se recusou a dar entrevista.

Só os pais de um aluno da escola em Nova Jérsei se negaram a fazer o dever ou dar explicações. O estudante perdeu ponto, mas não o suficiente para prejudicar a nota final.

Na pasta estão os deveres de casa da Vanessa do ano passado. Dá pra ver que ela teve muito trabalho e o professor era exigente.

"É, foi muito trabalho. E é muito pesado, mas eu me lembro de tudo o que está aqui. Então aprendi muito”, conta.

Diante da polêmica, a escola divulgou uma nota afirmando que a participação dos pais é voluntária, embora encorajada. No caso de Vanessa, ela conseguiu ser uma das melhores alunas da turma. Tirou nota A.

No Brasil o Fantástico pediu a duas professoras que fizessem o dever de casa também para os pais.

A mãe da Giovana, 15 anos, não gostou muito da surpresa. Meia hora depois termina o dever. Mas a mãe reclama do cansaço.

“Eu acho meio inviável porque não tem como a gente chegar em casa, do trabalho, e ainda fazer dever de casa, não é?”, acredita a empresária Mônica Pettine.

“O tempo ficou mais escarço, né? Quer dizer os pais trabalham muito, têm uma carga horária muito grande, mas eu quero te lembrar também que essa participação vai depender muito do temperamento dos pais”, afirma Eloiza Oliveira, da Faculdade de Educação da Uerj.

E depende mesmo: em uma família, a participação é diária no dever de casa dos filhos.

“Qualquer tempo, 30 minutos, uma hora, quinze minutos. Se for com qualidade, vale a pena”, afirma o engenheiro Carlos Perdigão.

"Acho que entra na minha cabeça eu explicando, tentando explicar pra ele, tentando passar pra ele e ele tentando passar o que sabe pra mim”, acredita Ana Caroline Perdigão, a filha, de 14 anos.

“O dever de casa pode ser bom, pode ser ruim para os pais, isso não é o mais importante. Mas é importante sim a idéia que está aí contida que é fazer da relação dos pais com a escola, uma proximidade maior”, aponta o psicanalista César Ibrahim.

“Meus pais chegam muito tarde e acordam muito cedo, então a gente tem muito pouco tempo junto. E foi um momento muito legal porque é uma troca de idéias. É a mesma coisa que você estudar com uma amiga, só que é seu pai. E na hora da correção com a professora a gente aprende. Mais ainda do que ela já explicou”, acredita Ana Caroline.

Site Fantástico

01.07.2007 http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1577194-4005,00-DE+QUEM+E+A+RESPONSABILIDADE.html

De quem é a responsabilidade?


E o que leva um jovem bem-nascido a se tornar criminoso? Até que ponto um pai pode ser responsabilizado pelo comportamento de um filho?

Esse infelizmente não é o primeiro caso de adolescentes de classe média que viram foras-da-lei. Será que eles pagam pelos seus crimes? O que aconteceu, por exemplo, com os jovens que queimaram o índio Galdino há dez anos em Brasília?

E o que leva um jovem bem-nascido a se tornar criminoso? Até que ponto um pai pode ser responsabilizado pelo comportamento de um filho? Afinal, como criar os filhos nos dias de hoje?

Jornal Nacional, 27/04/1997: “O índio não resistiu. Galdino Jesus dos Santos morreu nesta madrugada depois de ter sido queimado vivo por cinco jovens enquanto dormia num ponto de ônibus de Brasília”.

Os cinco rapazes moravam em prédios de classe média, no Plano Piloto da capital do Brasil. Max Rogério Alves, 19 anos, estudante, enteado de procurador federal. Eron Chaves Oliveira, 19 anos, balconista da lanchonete do pai. Antônio Novely Villanova, 19 anos, estudante, filho de juiz federal. Tomas Oliveira de Almeida, 18 anos, filhos de funcionários públicos, e o irmão dele, de 16 anos.

Os quatro foram condenados a 14 anos de prisão.

“Eles conseguiram liberdade condicional e hoje nem mais dormir na prisão eles precisam. Estão em liberdade total”, conta a promotora Maria José Miranda.

Fantástico, último domingo: “Uma história de violência e covardia no Rio de Janeiro. Cinco jovens, moradores de condomínio de alto luxo, agridem brutalmente uma mulher”.

“Na época que o Brasil tinha escravo era banal açoitar os escravos. Mas o Brasil não tem mais escravo. O Brasil hoje é feito de cidadãos livres. É necessário que a gente resolve esses casos. Tem que punir os meninos. Alguma coisa tem que acontecer para que eles aprendam a não fazer. E mais ainda: que passem uma imagem para o resto da sociedade, para pessoas parecidas com eles, que tenham a mesma cabeça, que isso no Brasil é intolerável. E é o que está faltando, passar de um sistema do qual você só sente vergonha, para um onde a culpa é importante”, comenta o antropólogo Roberto da Matta.

“É uma sensação de impunidade generalizada que agrava as circunstâncias. Mas, do ponto de vista, psíquico, humano essa animalidade é mesmíssima de 2 mil anos atrás, quando dizia Pitágoras: ‘Eduque as crianças e não será necessário castigar os homens’”, opina o psicanalista César Ibrahim.

“Nessa busca de adrenalina, de prazer, de satisfação, as pessoas não observam o outro e se tornam até, vamos dizer assim, desumanas”, diz Márcis Lopes, a mãe de um jovem assassinado em Niterói.

RJTV, 22/07/2004: “Será enterrado hoje o desenhista industrial assassinado em Niterói ao tentar impedir que uma senhora de 85 anos e o filho dela fossem assaltados”.

“Eu acho que ele foi um ser humano bom, um homem, enquanto que essas outras atitudes, essas pessoas que estão tendo atitudes de violência, de agressão, elas se comportam como animais, como bestas, não com sentimento humano”, resume Márcia.

Entrevista

Suas inúmeras palestras, sempre lotadas, nos sinalizam que cada vez mais pais estão interessados em saber qual a melhor forma de criar seus filhotes, como o senhor, carinhosamente, chama os rebentos dos ouvintes. Será esta uma ressaca dos idos anos 1960, quando acreditava-se que reprimir as crianças seria uma forma de traumatizá-las?

Resposta: Sim, com o advento da psicanálise no final do sec. XIX a importância que se deu ao desenvolvimento infantil foi enorme. Inúmeras interpretações equivocadas da obra freudiana produziram, por exemplo, a idéia ingênua de que não se deveria contrariar as crianças sobre pena de "traumatizá-las". Na verdade, a psicanálise quando se refere à educação ela propõe exatamente o contrário. Educar é contrariar o impulso primitivo universal na direção do prazer.A tarefa básica dos educadores é familiarizar a criança,progressivamente ,com o mundo "real". Ou seja , destituir gradualmente a criança do lugar de centro do universo , de onde ela tirânicamente governa os primeiros movimentos dos pais.Prepará-la para o mundo , é assujeitá-la ás regras estabelecidas há séculos pela comunidade dos humanos.

2) A disciplina, nos primeiros anos de vida, é mesmo fundamental para a formação de um caráter equilibrado? Ou isto se adquire (ou não) ao longo da vida?

Resposta: Os primórdios da vida emocional da criança vão determinar os padrões afetivos que presidirão a sua relação com outros humanos. Este processo se dá ao longo de toda a existência. Porém, os primeiros anos de vida assumem uma dimensão fundamental uma vez que ali se instalam os alicerces da saúde mental. A disciplina e a perseverança são requisitos básicos para qualquer conquista humana ,em qualquer campo de realização pessoal.

3) Como agir quando a criança faz pirraça num shopping por que quer um brinquedo que a mãe está negando?

Resposta: A frustração é parte integrante do desenvolvimento infantil. Familiarizar a criança com a idéia de que o mundo não gira em função do seu desejo ,a retira do trono da tirania. Portanto contrariar, eventualmente, os impulsos da criança faz parte do processo de retirada do sono narcísico onde reina o estado de completude. O papel do educador é penoso e exaustivo.Exige muita tenacidade e paciencia,pois o que já foi determinado em vária situações cotidianas exigirá repetições intermináveis. Assim, as famosas pirraças,especialmente em público, devem ser coibidas sem tolerancia.

4) E quanto ao adolescente? Como agir quando ele acha que é normal fumar maconha dentro de casa?

Resposta: Os pais devem fazer valer sua autoridade permanentemente. Eles são os responsáveis pela distinção, em última instância, entre o que é legitimo do que não pode ser admitido, de acordo com os valores morais prevalentes naquela cultura familiar. A liberdade que o adolescente procura não tem fronteira e o ambiente familiar passa a ser o palco onde será protagonizado o exercício de acatamento das regras que presidem as relações entre os humanos . Portanto,a maneira como cada família faz cumprir as normas internas, determina como cada adolescente tende a cumprir as normas da civilização humana. A permissividade abre caminho para transgressões cada vez mais perigosas.O papel dos educadores é impor,implacavelmente,as regras que vão variar para cada familia.

5) Muitos pais erram por não quererem dizer o tão famoso “não”. Educar é uma tarefa recorrente e muitas vezes chata. Quando o filhote não se contenta com a negativa, voltar atrás e permitir pode fazer com que os pais “percam” a autoridade?

Resposta: É necessário desidealizar a fantasia de uma educação sem erros. Os pais não devem temer contrariar seus filhotes. O Não precisa fazer parte da educação. Rever um não e mudar para um sim não vai fazer com que os pais percam sua autoridade perante seus filhos. O que deve ser evitado é o sim incondicional. A permissividade indiscriminada produz sêres inaptos para vida social.Inaptos para a inserção no mercado de trabalho.Inaptos para desenvolverem uma sexualidade madura e responsável. O não dosado diariamente durante todo o desenvolvimento retira a criança do universo dos prazeres intermináveis e a insere no mundo real.

6) Há um discurso, talvez equivocado, de muitos pais: “Quero que meus filhos sejam felizes”. Nesta busca, os pais oferecem excessos de toda sorte aos filhos: aparatos tecnológicos de última geração, roupas de grifes caras, objetos de desejo e não conseguem impor limites básicos, como horários para voltar para casa, por exemplo. É possível reverter esta situação ou o jovem acostumado a esta situação está fadado a uma realidade distorcida?

Resposta: Uma educação analgésica é inviável. A educação é dolorosa por natureza. O processo de educar requer que os pais saibam atender às demandas dos seus filhotes de maneira equilibrada. Oferecer tudo para os filhos constitui uma estratégia ingênua .A fantasia de proporcionar-lhes a felicidade permanente acaba por se mostrar um projeto inexequível. Os filhotes continuarão instalados em seus berços-trono acreditando que a realidade se curvará diante dos seus desejos. A tarefa mais corajosa e ao mesmo tempo amorosa dos pais é exercitar a prole para o enfrentamento dos múltiplos obstáculo que inevitavelemte se colocarão na trajetória dos filhos.

7) A ausência dos pais, que estão trabalhando fora, pode prejudicar a educação das crianças, considerando que estas ficam aos cuidados de terceiros e nem sempre bem preparados para educar?

Resposta: O fenômeno da "terceirização" da educação tem sido objeto de preocupação dos especialistas nas últimas décadas. A ausencia dos pais hoje é quase inevitável ,dadas as condições da subsistencia da família no mundo contemporâneo.Os pais precisam ficar atentos à importancia da instalação dos valores éticos e morais para o desenvolvimento emocional dos filhos , tentando minimizar as eventuais lacunas na convivencia. A noção do certo e do errado não se consolida por obra do que se diz aos filhos,mas pelo que se mostra através do comportamento dos próprios pais.A criança assiste desde muito cedo a um "filme" em que os pais são protagonistas no cotidiano.Independentemente do que dizem os pais sobre a moralidade, a criança tende a reter o que ela vê.Portanto entre o discurso e a prática dos pais a criança internaliza o que "vê" nesse espelho oferecido pelos pais ao longo dos anos de convivencia.

8) O excesso de informações e estímulos do mundo moderno aos quais as crianças estão expostas, como TV, internet, e etc, pode ser prejudicial? Como medir o que é adequado ou não para cada faixa etária?

Resposta: A questão da relação com os meios de comunicação e com as múltiplas formas de entretenimento a que o jovem tem acesso,passa pela análise não do uso desses instrumentos mas de seu abuso.O computador , os jogos eletrônicos e a televisão podem ser usados como instrumentos importantes e sofisticados de informação e diversão.Por isso, a princípio, são benvindos.Seu uso abusivo,no entanto, ,pode se tornar um instrumento de paralisação na relação com as responsabilidades impostas pela necessidade de crescer.Os jogos ou a internet, podem assumir formas "analgésicas" diante das dificuldades que se apresentam na direção do crescimento. A estratégia dos educadores deve estar comprometida com a limitação rigorosa do tempo de utilização desses instrumentos.

9) Segundo Freud, educar é restringir, reprimir e conter. Com amor, afeto e sem maus-tratos. Afinal, a tal palmada no bum-bum é ou não terapêutica? Pode ser considerada mau-trato?
Resposta: Há ,em geral, uma dificuldade dos pais em distinguir afeto de permissividade. Como se atender à demanda irrestrita dos filhos fosse prova de amor incondicional.Na verdade ,é necessário que haja uma dose significativa de amor e coragem para contrariar os impulsos desejantes dos filhos boa parte do tempo, em nome , da saúde mental. É a sucessão de frustrações que constrói a progressiva maturidade. Portanto a eventual palmada ,na hora certa, pode ajudar a desfazer a fantasia tirânica de toda criança segundo a qual, o mundo deveria girar em função de suas necessidades.

10) Fazer com que os filhos estabeleçam uma relação equilibrada ou distorcida com o mundo é responsabilidade dos pais. Alguns se envolvem com drogas, roubos, perversidades e outros dão muito orgulho para a família. Como filhos criados da mesma forma podem ser tão diferentes?

Resposta: Cada ser humano responde ao mundo afetivo de modo singular. Além disso , a singularidade neuroquímica determina para cada criança uma carga constitucional específica. Os pais , na sua relação com os filhos,percebem desde muito cedo a necessidade de lidar com cada filho de acordo com seu temperamento.Para alguns , rigor implacável diante da imaturidade. Com outros mais permissividade e tolerancia.Ou seja, para cada filho uma abordagem coerente com suas possibilidades emocionais e intelectuais .

11) Nos condomínios as famílias convivem com outras nas áreas comuns como piscinas e plays. E isto nem sempre se dá de forma harmônica. Como lidar com crianças sem limites no play? Quando um vizinho pode chamar a atenção de uma criança que não é o seu filho?

Resposta: A educação é o processo civilizatório que transforma o filhote humano ,(que nasce com uma programação voltada para sua sobrevivencia na natureza)num ser social.Ou seja ,capaz de renunciar às parcelas mais primitivas (como a agressividade) em nome de uma convivencia mais solidária com outros humanos.Essa tarefa que primordialmente cabe à família,tem sido relegada aos diversos agentes sociais,especialmente,a Escola. Supostamente ,a convivencia numa comunidade onde se partilha espaços de lazer , deve ser supervisionada por seus integrantes adultos (moradores e funcionários) ,que eventualmente assumem o papel de educadores de filhos cujos pais insistem em se omitir dessa missão tão imprescindível para a humanidade.

12) Os pais de hoje vêm delegando poucas responsabilidades a seus filhos. Hábitos rotineiros como arrumar a cama e ajudar a colocar a mesa devem ser incentivados até mesmo pelos pais que dispõem de empregadas domésticas?

Resposta: Os pais da contemporaneidade parecem se atribuir uma missão "impossível". Qual seja , a de produzir uma existencia sem inquietação ou sofrimento para os filhos.Desejam o melhor dos mundos para sua prole.Provêem cuidados esmerados na infancia,boa alimentação,escolaridade de qualidade , conforto material,facilidades de toda espécie e acabam por esquecer o fundamental. A base de sustentação de uma educação bem sucedida, reside na capacidade da criança de suportar as frustrações impostas pelos educadores. As facilidades e o conforto são benvindos.Mas precisam ser regulados com a competencia da criança em suportar contrariedades inevitáveis em seu desenvolvimento.

13) “Faça o que eu falo mas não faça o que eu faço”. Esta máxima também procede no âmbito familiar? Pequenos exemplos diários têm grande força na formação do caráter de uma criança?

Resposta: A criança constitui,bàsicamente ,seus valores morais a partir do modêlo identificatório oferecido inicialmente pela família e não pelo discurso dos adultos. A força do exemplo é significativamente maior do e que todo conjunto de discursos possíveis veiculados pelos educadores. Não é o aviso afixado no elevador ou na portaria de "É proibido pichar" que garante seu cumprimento. Mas os exemplos de civilidade e respeito pelos espaços comuns,oferecidos pelos respectivos pais em sua convivencia cotidiana.

14) Como o senhor bem observou em uma de suas palestras, os pais que mais precisam de ajuda para melhor educar, preparar seus filhos para a vida, não freqüentam palestras e muito menos lêem sobre os temas correlatos. Será a escola a grande aliada destas famílias? Qual o papel da escola na educação das crianças?

Resposta: A Educação no século XXI propõe desafios interessantíssimos. As funçoes paterna e materna se encontram cada vez mais diluídas no meio social. Além da Escola e do estado, vários agentes sociais vem se encarregando dessas atribuições. A criança desede muito cedo é retirada do ambiente familiar e passa a se colocar sob os cuidados da creche. Mais tarde a Escola vai dando continuidade a ocupação do lugar dos que deveria ser preponderantemente dos pais. O clube, a academia,o curso de idiomas,a professora particular,o condomínio,o hotel - fazenda, a atividae física,etc. vão complementando a função (deslocada da família)) de educar.

15) Existe uma receita de sucesso para construirmos adultos equilibrados e conseqüentemente um futuro melhor para todos nós?

Resposta: Não existe uma única via de sucesso ,dadas as incríveis diferenças humanas. Mas pode-se afirmar ,com pequena margem de erro, que a chance de uma educação bem sucedida , é tão maior quanto mais implacavelmente for a competencia dos pais para conterm os impulsos onipotentes dos filhotes. É preciso redefinir a idéia equivocada de que rigor na educação é sinônimo de tradicionalismo superado. E de que permissividade e facilitação é sinõnimo de modernidade. Os novos tempos estão a exigir dos educadores coragem e firmeza para contrariarem essa ideologia marcada pela fantasia de que educar pode ser um processo indolor. Educar é e sempre foi um trabalho longo,penoso e frequentemente não reconhecido de imediato pelos filhotes.

Cesar Mussi Ibrahim - Psicanalista - Rua Visconde de Pirajá 608 sala 208 Tel:22497784
www.cesaribrahim.com.br
Postado por Cessar Mussi Ibrahim às 17:18

Encontro de Professores_Batutinhas 2010

Encontro de Professores_Batutinhas 2010
Batutinhas 2010

Encontro de Professores_Batutinhas 2010

Aconteceu no dia 02 de Fevereiro de 2010

Briefing

No auditório do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) em Botafogo, a Escola Batutinhas reuniu seus professores e colaboradores para assistirem uma palestra do Dr. Cesar Mussi Ibrahim na abertura do ano letivo de 2010.
Cesar falou sobre a Cultura do Imediatismo onde o imperativo do gozo que se superpõe ao da segurança na nossa sociedade atual.
Discutiu sobre as questões relacionadas ao narcisismo primário da criança e qual o papel do professor para tirar o pequeno príncipe do pedestal para que ele possa se desenvolver.
Afirmou que se não tirarmos o invólucro desta criança ela não terá condições de crescer e que para tanto ele terá que abrir mão de algumas regalias do seu pequeno reinado. Declarou que os pais também precisam assumir o seu lugar de autoridade e dar para seus filhos os limites necessários para o seu crescimento e sua saúde mental.
A criança para crescer precisa aprender a conviver em um grupo, socializar e interiorizar as regras que a cultura vai impor: a hora de brincar, de comer, de estudar etc.. Em casa, as crianças, muitas das vezes, criados por pais super bem intencionados, não se acostumaram com a palavra NÃO e seguem vida a fora vivendo como se fossem o centro do universo. O trabalho do professor é mostrar para a criança que ele vai encontrar, em toda a sua jornada, frustrações e que nem tudo será possível. Cesar ainda abordou fatos sobre a Cultura Hedonista (do gozo e do imediatismo) e o uso da medicalização para amenizar a dor e também transformar a vida em algo mais fácil para se viver. Apontou os riscos do uso desenfreado da ritalina para contenção de crianças que são mais agitadas que outras, as famosas hiperativas que não conseguem ficar paradas e manterem a atenção em sala de aula. Um ponto interessante foi quando Cesar disse que para podermos cuidar das questões dos outros precisamos estar plenos com nossas próprias questões e afirmou que os professores precisam se preparar primeiro para este trabalho árduo que é educar. Toda a nossa capacidade de lidar com as questões de autoridades estão relacionadas diretamente com a maneira como nós mesmos passamos pelo nosso processo de destronamento narcísico.
Reivindicar o trono é algo que nos acompanhará por toda a nossa vida. Nossas questões narcísicas precisam ser bem compreendidas para que possamos fazer nosso trabalho de acolher as demandas alheiras e promover a escutas destes pais de destas crianças.
Cesar falou sobre as fases da vida. O ser cuidado, o cuidar-se e o cuidar do outro e disse que esta última algumas pessoas não conseguem atingir.
Sobre os limites Cesar foi bem enfático: "SÃO NECESSÁRIOS E SEM ELES A CRIANÇA NAO CONSEGUIRÁ SER UM ADULTO SAUDÁVEL INSERIDO NA SOCIEDADE."
A palestra foi finalizada abrindo para questões onde os professores puderam discutir alguns pontos abordados como foi o caso da participação do professor Mauro que contou um caso do seu aluno e fez o grupo refletiu e aplicar os conceitos abordados pelo Cesar.

Postado por: Alice Ferruccio

Encontro de Professores_ Batutinhas 2010

Encontro de Professores_ Batutinhas 2010

Observações sobre o curso A Educação e a Dor de Aprender da PUC-RJ.

Caros alunos(as),

Enviem suas observações sobre o curso, que foram lidas na última aula, para que possamos publicá-las no blog.

Parabéns e obrigado(a) a todos os alunos(as) do curso A Educação e a Dor de Aprender da PUC-RJ.

Professor Cesar Ibrahim

Monitora: Alice Ferrruccio (alice.ferruccio@gmail.com)

Para quem não leu:

Dica de leitura: livro do Philippe Ariés - História Social da Criança e da Família
1. Site para leitura:
http://www.scribd.com/doc/19716181/PHILIPPE-ARIES-Historia-social-da-crianca-e-da-familia

Título Original:
L Enfant et al vie familiale sous 1 Ancien Régime.

Para quem não fez ainda:
Escrever um caso clínico (relato sobre um caso ocorrido na Escola). Vide roteiro para o relato do caso clínico no blog.

Recordar, repetir e elaborar (para quem não leu ainda)
http://www.scribd.com/doc/7229887/RECORDAR-Repetir-e-Elaborar